sábado, junho 18, 2016

Mhes: 2º Encontro de Patchwork




Jaraguá do Sul/SC: 2º Encontro de Patchwork, neste sábado no Museu Histórico "Emílio da Silva", na sala da Ação Educativa.
A gravação foi com Claudia Bardal responsável pela aplicação da oficina.. Além disso participaram Marcia Tepassé Trombelli, Ilca Mahnke Schmidt, Mirian Lange e outras.
Ademir Pfiffer - Historiador

quarta-feira, agosto 05, 2015

Jaraguá do Sul (SC): evento da manifestação cultural do patrimônio intangível do tiro ao ao alvo

A manifestação das festas de rei e rainha  do tiro de Jaraguá do Sul, representa a identidade cultural e o patrimônio do schützenverein há mais de um século.
Imagens de um atirador e esportista da Sociedade Alvorada, Rio Cerro I, formada principalmente, por remanescentes teuto brasileiros e pomeranos.
Ademir Pfiffer - Historiador
Créditos: Ademir Pfiffer

Jaraguá do Sul (SC): cultura Imaterial ou Intangível do Rocambole

A tradição da iguaria do rocambole faz parte dos hábitos e costumes do grupo social remanescente dos pomeranos brasileiros do Rio Cerro e Rio da Luz, sendo atualmente consumido por todos os jaraguaenses.
A cultura da panificação da cuca e do bolo também faz parte do patrimônio imaterial ou intangível da etnia germânica.
Ademir Pfiffer - Historiador
Créditos: Ademir Pfiffer

sábado, junho 13, 2015

Obra de duplicação da Waldemar Grubba - lentidão vergonhosa



Guaramirim (SC). Obra de duplicação da Waldemar Grubba - lentidão e vergonhosa.
Ademir Pfiffer - Historiador

domingo, março 29, 2015

EM - Albano Kanzler - 50 anos - Professor Mario Karing





Escola Municipal - Albano Kanzler - 50 anos - Professor Mario Karing. Localizada no bairro Nova Brasília, iniciou as atividdades em 04 de março de 1965, na gestão do prefeito Roland Harold Dornbusch, tendo como primeira diretora, Veralba Freiberg Pereira. 
O pequeno registro servirá para compreendermos a importância social do educandário para Jaraguá do Sul [SC].

terça-feira, março 24, 2015

50 Anos Escola Municipal de Ensino Fundamental “Albano Kanzler”


Os anos 60 foram marcados por importantes incrementos e financiamentos para o desenvolvimento industrial de Jaraguá do Sul [SC]. O resultado disso foi o crescimento econômico e social, paralelamente a mudança de foco do desenvolvimento agrícola e agropecuário para o industrial, ligado à indústria têxtil, metal mecânico e de alimentos.
Porém, à época havia importantes desafios de escolarização da população rural que migrou para as áreas urbanas da cidade.
Entre as necessidades emergentes, havia a implantação da escola do antigo curso primário, visando atender a demanda de matrícula emergente com o crescimento industrial.
O bairro Nova Brasília, em franco desenvolvimento, foi o que recebeu as instalações da mais importante indústria metal mecânica, o parque fabril da empresa WEG.
No entorno da WEG, outros fomentos econômicos e comerciais surgiram visando atender as necessidades dos bairros Nova Brasília e Vila Lenzi, cujo prefeito Roland Harold Dornbusch foi em busca de recursos públicos e edificou um prédio escolar na propriedade do Senhor Gustav August Frederich Hagedörn, sendo construida a obra pelo mais notável construtor da época, o senhor Albano Kanzler e seu quadro de colaboradores.
A unidade entrou em funcionamento em 04 de março de 1965 e iniciou as atividades com duas salas de aula e 46 alunos. Com a nomenclatura e classificação de Escola Reunida Municipal de Nova Brasília, atendia a matrícula de escolares de 1ª a 4ª série. Posteriormente, atendendo a pedidos da comunidade, o prefeito da época editou o decreto-lei designando o patrono de Albano Kanzler, cidadão remanescente da colonização suábia húngara e laborioso construtor de importantes edificações que marcaram a história da construção civil e pública.
Em 14 de março de 1965, foi realizada a primeira reunião do Círculo de Pais e Mestres para implantar as diretrizes do associativismo e da escola comunitária, valores ainda preservados quando a escola completou 50 anos de fundação.
A primeira diretora nomeada foi a professora Veralba Maria Freiberg Pereira (1965 a 1968), seguidos por Dolcídio Menel (1968 a 1971), Onélia Müller Ersching (1971 a 1983), Cecilia Ayroso Konell (1983 a 1988), Fedra Luciana Konell (1989), Márcia Rudolf Drechsel (1990 a 1993), Jussara Vicente Borries (1993 a 1994), Eunice Klitzke Prüsse (1994 a 1996), Mírian Maria Rudolf Pereira (1997 a 1999), Julia Mariane Américo (1999 a 2001), César Augusto Carneiro de Oliveira (2001 a 2002), Odileia Inês Tecilla (2002 a 2006), Marlice Fernandes Heidmann (2006 a 2008), Eliane Welk Kreutzfeld (2009 a 2014), Eliane Montibeller (2014), e Marlice Fernandes Heidmann (2015...).
É importante destacar que, em 50 anos de funcionamento do estabelecimento de ensino, o mesmo foi e continua sendo espaço público de difusão da organização da escola comunitária, do currículo da diversidade, pluralidade, construção plena da cidadania, pois o quadro de funcionários sempre contou com profissionais formados e comprometidos com as políticas públicas do Sistema Municipal de Ensino de Jaraguá do Sul.


O registro histórico do movimento associativista e comunitário a seguir revela a importância desta instituição, desde a sua fundação, cujo documento também mostra a faceta da participação dos cidadãos de diversas etnias como, afro-descendentes, alemães, suábio-húngaros, pomeranos, lusos e italianos. Eis o documento:
Ata da Reunião de Pais e Mestres.

Escola Municipal de Nova Brasília
Distrito e Município de Jaraguá do Sul

Ata da Reunião do Círculo de Pais e Mestres

Aos 14 dias do mês de março, reuniu-se numa das salas de aula desta escola o Sr. Prefeito, secretários e os seguintes pais de alunos:

Laurentino D'Amaceno, Manoel Rosa, Jordão Rosa, Harry Gadke, Osvaldo Leithold, Francisco Leier, Alcides Americo, Francisco Hosinski, Vitorio Schlemberg, Mathias Rosa, Hilario Klein, Lindolfo Klein, Argemiro Nunes, Paulo Pedro Mauricio, Arno Kanzler, Norberto de Oliveira Cunha, Osvaldo Doege, Alex Droeger, Mauro de Souza Coelho, Elpídio da Silva, Werner Krueger, José Nunes, Manoel João Gualberto, Harry Hornburg, Sr. Roland Harold Dornbusch, Sr. Manoel, Arthur Gunter, Floriano Stahlen, para a primeira reunião do círculo de pais e mestres desta escola a fim de fazer a eleição da primeira diretoria. Tomando a palavra o Sr. Prefeito falou sobre o seguinte: que o terreno desta escola fora doado pelo senhor Hagedörn e media 3.000m quadrados. Que o dinheiro com o qual foi feita a construção tratava-se de uma verba federal alcançada através do deputado Federal, Lauro Carneiro Loyola.
Que a inauguração devia ser seguida de uma festinha popular, organizada pelos membros da nova diretoria e com a agenda de todos. O inaugurador, como é muito justo, será o Sr. Loyola. Falou ainda sobre o material escolar a ser distribuido na escola aos alunos pobres. Comprado com uma verba federal também conseguida pelo deputado anteriormente citado. Como a finalidade da reunião era a eleição o Sr. Prefeito sugeriu que a mesma fosse feita por aclamação. O conselho foi acertado e a diretoria ficou assim constituída:



Presidente de Honra: Sr. Albano Kanzler
Presidente: Sr. Arno Kanzler
Vice Presidente: Sr. Francisco Leyer
I Tesoureiro: Sr. Francisco Hoblinski
II Tesoureiro: Sr. Harry Gaedke
Secretaria: Elsena Behling


Conselhos Fiscais: Sr. Harry Hornburg, Werner G Kruger, Floriano Stahelm.
A seguir, a professora regente falou sobre a frequencia das aulas. A vantagem de quem tiver menos de 10 faltas e media 7 em cada materia é que não precisava comparecer aos exames, estando assim automaticamente passado para o ano seguinte.
Pediu aos pais que observassem se os filhos estudavam e a esse respeito, também falou o Sr Prefeito. Foi falado sobre o uso do uniforme diário: será shorts azul e camisa branca para os rapazes e saia azul e blusa branca para as meninas, que fossem aparecendo todas uniformizadas com o decorrer do tempo.
Foi falado sobre a caixa escolar que seria de CR$ 600,00 por pai. Foi levada a compreensão dos pais com relação aos exercícios de coordenação motora do primeiro ano. Assim, com o comparecimento dos mesmos a esta reunião, ficou combinado que quando houvesse reunião os pais seriam avisados pelos alunos. Nada mais tendo a tratar deu-se por encerrada esta reunião da qual lavrei a presente ata que vai por mim assinada, assim como pela diretoria e por todos os presentes. Elsena Behling.


Em março de 2015, a equipe de trabalho do MHES(Andreia Camillo e Eliza Ressel Diefenthäler) organizaram uma pequena exposição na sala temática da educação, rememorando o acontecimento dos 50 anos de fundação desta unidade escolar.

Ademir Pfiffer - Historiador


quarta-feira, dezembro 03, 2014

Konigsfest e Kegelfest, eventos da cultura teuto brasileira no Vale do Itapocu

 Os municípios de Guaramirim e Massaranduba ainda preservam valores das festividades esportivas ligadas a tradição da Konigfest, festa de tiro rei e Kegelfest, a festa do bolão.
       Em 22 de novembro, na Sociedade de Atiradores de Bruderthal aconteceu a Konigfest , a festa de tiro rei e rainha, do casal Gilmar e Marcia Morch. 
        O reinado foi completado pelas princesas, Irene Winter e Inema Bachmann e cavalheiros, Arnaldo Winter e  Ilário Bachamann.
       O evento foi regado a gastronomia tipica e musicalizado pela Banda Adler's Band, do Vale Rio da Luz Jaraguá do Sul.
       Em 29 de novembro foi a vez da Sociedade Onze União localizada no bairro Patrimônio, que organizou a Kegelfest, a festa do bolão.
       O reinado de 2014 foi assim constituído: 

Rei Amador - Marcelo Ber; Renato Sasse, 1º cavalheiro e Marilson Ruchert, 2º cavalheiro;
Vice- campeão - Bruno Krisanski
Rainha  Amadora - Talita D. Bernal; 1ª princesa, Nubia Ruchert e Leonirdes Cecatto, 2ª princesa;
Campeã - Dirce Kruger;
Vice-campeã - Marise Rohweder;

Rei Master - Ivo Lehn; Valdir Freitag, 1º cavalheiro e Leonor Fischer, 2º Cavalheiro.
Campeão- Nildo Voelz;
Rainha Master - Elenir Fischer; Leoni Janssen, 1ª princesa e Jandira Voelz, 2ª princesa;
Campeã - Marlene Reck;
Vice-campeã - Mariza Z. Beri.

        O evento foi abrilhantado pela Banda Horizonte Azul, da cidade de Timbó [SC], e foi marcado pela ritualística de busca de majestades, jantar festivo, proclamação das novas majestades para a primavera de 2015 e grandioso baile.
        O Vale do Itapocu através das sociedades de tiro e bolão, ainda mantém as raízes da cultura do associativismo em forma do lazer social. Essa iniciativa também está sintonizada com os valores dos antepassados, que introduziram práticas esportivas nos pontos de sociabilidades, visando o fortalecimento dos laços de amizades e vínculos de famílias.
         Em razão de salvaguardar o patrimônio destas significativas manifestações folclóricas e esportivas, os municípios também mantém a identidade cultural e a história do seu povo.
           Na dissertação de mestrado do cientista Victor Chacon da Silva Pessoa [2012], de Fortaleza [CE], da Universidade Estadual, o mesmo compartilha  a seguinte reflexão em relação as manifestações culturais:

Como ter visão cientifica de coisas tão próximas, tão comuns, 
tão normais? Como não se emocionar com fatos que dizem tanto 
de nós mesmo, de nossos gostos, de nossos prazeres? Como ter 
visão crítica em relação àquilo que é visto tão naturalmente pela 
sociedade? Como gostar de uma festa vivê-la, esperá-la o ano 
todo, e ao mesmo tempo, querer entendê-la? LIMA (2002. p, 11). 

         Com esta contribuição compreende-se a importância das comunidades tradicionais planejarem e realizarem evento que simbolizam as representações do patrimônio herdados dos antepassados.

Ademir Pfiffer - Historiador

segunda-feira, novembro 03, 2014

Cemitérios como pontos de sociabilidade, de encontros, e memórias

A cultura do sepultamento indígena foi introduzida no Vale do Itapocu a partir do século XVIII. Foi a fase em que os índios “xoclengue” deixaram o litoral Norte catarinense com o advento da intensa imigração dos lusos e açorianos, durante o assentamento dessas comunidades. Para escapar das práticas das caçadas dos bugreiros, foi inevitável a interiorização desses povos, também conhecidos pelo nome de botocudos. Dessa fase sabe-se pouco por fontes orais. Os costumes dos rituais de sepultamentos ligados aos botocudos ainda permeiam o imaginário coletivo regional. Esse povo nômade, ao morrer repentinamente, enterrava os seus mortos no local em que se encontrava, em meio à floresta. Assim, ainda na primeira metade do século XX, os colonizadores europeus que aportaram no Itapocu afirmavam a presença do ritual do sepultamento dos botocudos nômades em alguns locais do vale, através de relatos de entrevista sociais, gravados nesses últimos anos.  Os sepultamentos, ocasionalmente, ocorriam quando a morte surgia no grupo social motivada por incidência de moléstia ou ataques de animais ferozes. O conhecimento desse ritual da morte chegou ao colonizador europeu quando os botocudos, já aculturados, vinham da reserva indígena da região de Ibirama [José Boiteux e Victor Meireles] ao Vale do Itapocu, reencontrar a sepultura [cova] do ente querido. Ali, misteriosamente realizavam sua manifestação social do culto ao morto. Já o colonizador europeu, alemães e pomeranos, desde os primórdios tempos da ocupação da territorialidade da região do Vale Rio da Luz [anos 60] e a região da Estrada Garibaldi [anos 90], no transcorrer do século XIX, trouxeram a manifestação cultural do ritual do sepultamento nos moldes da tradição cristã. Porém, a sua base organizacional foi concebida pela prática do associativismo, que se adaptou muito bem no núcleo de assentamento, em conformidade com a orientação da igreja que estava vinculado, ou seja, protestante ou católica. O Cemitério Municipal de Jaraguá do Sul foi criado na área rural, que compõe a atual urbe da cidade, por volta de 1909, sendo à época organizado em conformidade às normas higienistas, sanitárias e de secularização da sociedade. Os cuidados eram necessários, visto que a primeira experiência de criação de um cemitério central, no local do atual, foi alvo de inúmeras reclamações a cerca da salubridade do espaço rural ameaçado por epidemias e miasmas, pois a maioria dos corpos eram enterrados de modo muito raso, gerando mau cheiro que atraia espécies de animais e aves em busca dos restos mortais. Quanto à regulamentação de uso social e cultural do Cemitério Municipal, a partir da primeira década do século XX, a organização ficou a cargo das duas mais importantes igrejas, a Luterana no Brasil e a Católica. O terreno foi pleiteado junto à Câmara Municipal e homologado pela autoridade da antiga Superintendência de Joinville, na área territorial conhecida como terras da Camerland, sem data de registro oficial. Porém, no ano de 1913, uma rua foi aberta acompanhando a margem do Rio Itapocu, cortando a área cemiterial. Assim, a área cemiterial para sepultamento ao lado do rio ficou sob o controle da Igreja Católica; a outra, para os cidadãos ligados à Igreja Luterana no Brasil. Com intervenção organizacional das duas igrejas, o Cemitério Municipal ganhou os primeiros contornos de sociabilidade, principalmente, construção dos túmulos seguindo um regramento. Isso gerou uma arquitetura de alvenaria seguindo costumes e hábitos à época como a representação de esculturas sacras de anjos nos jazigos católicos. Já os luteranos valorizavam mais a inscrição do epitáfio, ou seja, a escrita de uma frase em relevo sobre o túmulo, em língua estrangeira alemã, sendo a mais comum: Hier Ruhet in Gott [aqui descansa em Deus]. Além disso, estampavam-se outras simbologias, fortemente apegadas em adornos da arte tumulária que, quanto mais sofisticada a sua construção, revelaria a posição social do indivíduo ou família. No transcorrer dos anos, o epitáfio passou a ser estampado em placas de mármore ou metálica, porém, a frase foi substituída por versículos bíblicos ou pensamentos de influentes pensadores, das mais diversas áreas do conhecimento como arte, filosofia, história, etc. Quanto ao uso da língua como meio eficaz de comunicação, os cemitérios no Vale do Itapocu não foram só marcados pela presença da língua estrangeira alemã. Assim, nos vários municípios, ainda podemos encontrar na arte da tumularia e em lápides inscrições nas línguas russa [os alemães de Wolga], leta, italiana, polonesa e portuguesa. Considerando estes indicadores, a primeira metade do século XX definiu-se através do associativismo cemiterial, com pontos de encontro de memória dos entes queridos em Jaraguá do Sul e no Vale Itapocu. Lembrando que o marco comemorativo é 2 de novembro, o Dia dos Finados, cuja data vem sendo comemorada desde o século II da Era Cristã. No Brasil, a tradição cristã chegou em todos os rincões que receberam imigração e colonização europeia. Com o passar dos tempos, a tradição do Dia dos Finados se firmou fortemente pela presença da ornamentação de flores naturais. Atualmente, esta cultura está sendo substituída pelas plantas e flores sintéticas, importadas da nação chinesa, nas diversas estampas e cores. As flores ganharam essa notoriedade no meio cemiterial, em virtude de representar aspectos de fragilidade e singeleza. Além disso, as mesmas poderão ter o caráter de simbolizar indicadores religiosos como as flores de cinco ou 12 pétalas, que significam as chagas de Cristo ou alusão aos apóstolos. Considerando esse contexto, o colonizador mantinha em sua propriedade o plantio das flores nos arredores da residência familiar, bem como no quintal, com a função social e cultural de embelezar e colorir a moradia. Porém, quando chegava a época dos Finados, seriam as flores extraídas e levadas ao cemitério. Essa prática social e cultural do uso das flores nos espaços cemiteriais eram conectadas aos valores da época e continuam presentes na atual sociedade, simbolizando conotações diversas, como religiosas e morais. Assim, uma flor quebrada poderá revelar a fragilidade da vida; uma flor morta poderá significar tristeza e melancolia. Porém, o campo das representações e simbologias das flores por espécie também tem seu significado: os lírios, adequados para os túmulos femininos, pois significavam a inocência da alma após a morte. Essa espécie tinha vasto cultivo nos quintais e davam à estação primaveril lindo colorido e cheiro agradável. O copo-de-leite usado no ornamento dos túmulos dos casais, simboliza a união e o matrimônio. A margarida é a flor símbolo da infância de Cristo. Isso nos remente ao passado frágil da ausência de políticas públicas de atendimento às gestantes. Essa fase histórica e gritante foi marcada pelas elevadas taxas de mortandade infantil, que obrigou os cemitérios a abrirem alas exclusivas à infância. Em contrapartida, as famílias, fragilizadas pela perda inocente, mantinham em seus quintais muitos canteiros dessas espécies de flores para atender a demanda dos finados. Com o passar dos anos e o aumento populacional, novos costumes sobre os sepultamentos foram incorporados em Jaraguá do Sul, como a cremação dos corpos, principalmente pelas famílias de posse. Porém, a maioria mantém a tradição dos sepultamentos convencionais, embora a verticalização cemiterial tenha modificado, drasticamente, essa arquitetura. Além disso, vem comprometendo o patrimônio histórico e cultural da arte tumular, tão significativa para a difusão do turismo, pois trata-se de um espaço de pesquisa e memória. Atualmente, há diversos cemitérios com indicativo de exploração turística como do Rio Cerro II, Vale do Rio da Luz, num total de três. Outros estão na região da Estrada Garibaldi [Santíssima Trindade, Jaraguá Alto, Jaraguazinho e São Pedro], Centro, Santa Luzia e Santo Antônio. 
Imagem de Rosane Neitzel Gonçalves, Cemitério Municipal Católico Centro, em 30 de outubro de 2014.
 Ademir Pfiffer - Historiador